Jovem de 21 anos é primeira tocantinense a participar de tratamento experimental com polilaminina e reacende a esperança de voltar a andar

Aos 21 anos, a vida de Sindy Mirella Santos Silva mudou drasticamente após um grave acidente de trânsito. Moradora de Combinado, no sudeste do Tocantins.

SAÚDE

4/4/20262 min read

Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

Aos 21 anos, a jovem Sindy Mirella Santos Silva teve sua rotina completamente transformada após um grave acidente de trânsito. Moradora de Combinado, ela passou a enfrentar o desafio de recuperar os movimentos das pernas, em uma jornada marcada por dificuldades, mas também por novas possibilidades trazidas pela ciência.

Sindy é a primeira paciente do Tocantins a integrar um tratamento experimental brasileiro voltado à recuperação de lesões na medula espinhal. Ainda em fase de testes, o procedimento tem despertado expectativas e surge como uma alternativa promissora para pacientes que buscam retomar a mobilidade.

O acidente ocorreu no dia 11 de janeiro, na rodovia entre Novo Alegre e Combinado. Na ocasião, a jovem sofreu múltiplas lesões, incluindo fraturas em sete costelas, no braço direito e uma compressão medular. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Geral de Palmas, onde passou por cirurgia e recebeu o diagnóstico de paraplegia.

Diante do quadro, familiares iniciaram uma busca por alternativas que pudessem contribuir com sua recuperação. Foi nesse contexto que conheceram a polilaminina, também chamada de polinaminina — uma substância ainda em estudo, obtida a partir da placenta humana, que tem sido apontada por pesquisadores brasileiros como uma possível aliada na regeneração dos nervos e na reorganização dos circuitos da medula espinhal.

Mesmo em fase experimental, o tratamento representa uma nova esperança para Sindy e para outros pacientes que enfrentam desafios semelhantes, reforçando o papel da ciência na busca por soluções inovadoras na área da saúde.

Foto: Allessandro Ferreira / Agência Tocantins

Produzida a partir da placenta humana, a substância atua estimulando a reorganização dos circuitos nervosos. Desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ainda está em fase de testes clínicos e aguarda autorização da Anvisa para uso mais amplo.

Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Tatiana Sampaio, os primeiros resultados são animadores. Ensaios com animais e pacientes indicaram recuperação parcial de movimentos — um avanço que pode tornar o tratamento uma alternativa mais acessível e segura em relação a terapias com células-tronco.

Sindy foi considerada apta para o protocolo e já começou a receber o tratamento experimental. Para ela, cada avanço representa uma nova possibilidade de voltar a ter autonomia e retomar planos que foram interrompidos pelo acidente.

Além do desafio de saúde, há também um peso financeiro significativo. Entre as necessidades estão equipamentos essenciais para o dia a dia, como diferentes tipos de cadeiras adaptadas, uso contínuo de medicamentos e acompanhamento em uma clínica de reabilitação com tecnologia avançada — custos que, atualmente, não podem ser arcados pela família.

Acompanhando toda essa jornada, a mãe, Ledjane Bezerra da Silva, permanece ao seu lado em todos os momentos, demonstrando força e esperança mesmo diante das adversidades. A família segue unida e determinada a buscar a recuperação da jovem.